
No período dos feriados da Copa América e do São João, deputados federais e senadores deixaram Brasília em uma onda de viagens que gerou críticas por parte da oposição. Segundo relatos de fontes parlamentares, ao menos 320 parlamentares aproveitaram os dias de folga para visitar estados distantes, incluindo reuniões políticas, eventos comunitários e férias familiares.
A ausência dos parlamentares foi notada no Congresso Nacional, onde a agenda legislativa foi reduzida. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), justificou as saídas como uma “necessidade de proximidade com o eleitor”, destacando que “os senadores têm a obrigação de dialogar com as bases eleitorais durante os períodos de festividades”.
A oposição, no entanto, questionou a falta de compromisso com o legislativo. O líder do PT na Câmara, Hélio Vanucci, afirmou que “a ausência de deputados em Brasília no momento em que tramitam projetos importantes de reforma tributária e de saúde é uma demonstração de descaso com o país”. Vanucci destacou que apenas 15% dos membros da Câmara permaneceram no Distrito Federal durante o período.
Entre os deputados que viajaram, destaca-se o caso do líder do PSL, Luiz Philippe Vieira, que viajou para o Rio de Janeiro para participar de eventos da Copa América. Outros parlamentares, como a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), usaram as redes sociais para compartilhar fotos em viagens a São Paulo, enquanto o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) foi flagrado em um avião com destino a Manaus.
O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) mantiveram vigilância discreta sobre os movimentos dos parlamentares, após denúncias de uso de recursos públicos para deslocamentos não essenciais. Um servidor da Receita Federal informou que “os gastos com passagens aéreas e diárias dos deputados serão analisados com atenção nos próximos dias”.
A ausência dos parlamentares também afetou o ritmo das tramitações. O projeto de lei que trata da modernização do sistema de saúde pública, prioridade do governo federal, teve a análise no Senado adiada para a semana seguinte. Fontes do Planalto afirmam que “a prioridade é garantir a votação das matérias em pauta, mesmo com a redução do número de parlamentares presentes”.
Enquanto os líderes políticos justificam as viagens como estratégias de conexão com o eleitorado, críticos destacam que o Congresso Nacional é o único poder do Estado cuja atuação não se enquadra como essencial durante os feriados. A presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), defendeu a prática, afirmando que “a política exige presença em todos os níveis, e os parlamentares têm o dever de atender o povo”.
Com a volta dos parlamentares prevista para a próxima semana, o foco das discussões será a votação de um projeto de inovação tecnológica para a educação básica. A expectativa é que o Congresso retome o ritmo normal após o período de ausências, mas o debate sobre a ética na gestão do tempo dos parlamentares continua sendo um ponto de tensão no cenário político brasileiro.
