POLÍTICA

Marcha em São Paulo reivindica legalização da maconha e debate regulamentação do mercado

Um movimento de grande magnitude reuniu milhares de pessoas em São Paulo no último fim de semana para reivindicar a legalização e regulamentação do uso medicinal e recreativo da maconha no Brasil. A marcha, organizada por sindicatos, ONGs e grupos de defesa dos direitos humanos, ocorreu em um contexto de crescente debate sobre políticas de drogas no país.

Participantes destacaram a necessidade de uma abordagem mais humanitária, criticando a atual legislação, que considera o porte de até 5 gramas de maconha um crime de menor potência. “Queremos o fim do estigma e a garantia de acesso seguro a substâncias que podem ser benéficas para a saúde”, afirmou uma manifestante, identificada como Débora Ferreira, integrante do Coletivo Nacional pela Legalização da Maconha.

O evento contou com a presença de representantes de partidos políticos, entre eles o deputado federal João Pedro (PSB), que destacou a importância de debates técnicos para a construção de um marco regulatório. “A legalização não é um fim em si, mas uma oportunidade de reduzir o impacto social e econômico das atuais políticas repressivas”, comentou.

No cenário internacional, países como Canadá, Uruguai e partes da Argentina já regulamentaram o uso recreativo da cannabis, enquanto outros, como a Espanha e Holanda, adotam políticas de tolerância em relação ao consumo em locais específicos. No Brasil, o Código Penal permite o uso medicinal sob prescrição médica, mas a discussão sobre o acesso e a produção permanece em impasse no Congresso Nacional.

O movimento também trouxe à tona a questão da criminalização desproporcional de comunidades vulneráveis. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam que 48% dos presos por crimes relacionados a drogas em 2023 eram jovens negros de baixa renda. “A guerra às drogas tem sido uma guerra às periferias”, destacou o advogado Sérgio Leal, especialista em direitos humanos.

Apesar do apoio crescente, a iniciativa enfrenta resistência de setores conservadores e instituições religiosas, que argumentam sobre os riscos à saúde pública e à educação. Entidades médicas, por outro lado, defendem a necessidade de estudos científicos para embasar qualquer mudança legislativa.

Com debates em aberto e pressão popular, o tema promete permanecer no centro das discussões políticas nos próximos anos. A marcha de São Paulo reafirmou a busca por uma solução que equilibre direitos individuais, segurança pública e justiça social.

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