
No cenário político brasileiro, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tem gerado grande repercussão, especialmente em decorrência dos depoimentos que estão sendo coletados e das situações que deles emergem. Recentemente, uma audiência ganhou destaque não apenas pelo teor das investigações, mas também por um incidente que expôs o lado humano e vulnerável dos participantes envolvidos.
Durante a sessão de depoimentos, um dos convocados para prestar esclarecimentos apresentou uma crise de ansiedade, o que o levou a interromper sua fala e abandonar a audiência antes do final programado. O episódio levantou questões sobre a pressão enfrentada por testemunhas em situações de alta tensão, especialmente em contextos onde a saúde mental pode ser significativamente impactada.
A CPMI do INSS visa investigar denúncias sobre fraudes, irregularidades e o funcionamento das políticas de seguridade social no Brasil, um tema que afeta diretamente milhões de cidadãos. Portanto, a importância dos depoimentos não pode ser subestimada. Contudo, o caso do depoente que teve uma crise de ansiedade lançou luz sobre a necessidade de apoio psicológico e um ambiente mais acolhedor durante a coleta de depoimentos em situações delicadas.
Especialistas em saúde mental têm alertado sobre a crescente incidência de problemas como a ansiedade e a depressão entre cidadãos comuns, exacerbados em momentos de estresse intenso, como os vividos em audiências políticas. Entre as recomendações, está a necessidade de que as Comissões Parlamentares adotem medidas que visem garantir o bem-estar emocional dos depoentes, seja por meio de suporte psicológico antes, durante e após os depoimentos, ou através de condições que minimizem o estresse.
Além disso, o episódio também instiga um debate mais amplo sobre a responsabilidade das instituições em proporcionar um ambiente seguro e saudável para que todos possam exercer sua cidadania plenamente, sem o medo de represálias ou da pressão emocional causada por exigências excessivas.
A CPMI do INSS, portanto, além de investigar práticas e fraudes, pode ser vista como um campo de teste para a implementação de melhores práticas em termos de acolhimento e suporte aos cidadãos que se disponibilizam a colaborar com a justiça. Assim, as práticas adotadas pelas instituições podem ter reflexo direto na saúde mental e no bem-estar dos envolvidos.
Em um país onde a saúde mental ainda é um tema tabu, a situação vivida na CPMI do INSS serve de alerta para a necessidade urgente de se tratar a saúde psicológica com a mesma seriedade que outras questões de saúde e segurança pública. É preciso que a sociedade civil, juntamente com as instituições governamentais, unam esforços para garantir um ambiente mais justo e humano, onde todos possam participar ativamente dos processos sem prejuízos a sua saúde mental.
O incidente na CPMI não representa apenas uma queixa individual, mas uma chamada à ação para todos os envolvidos em processos políticos: a saúde mental deve ser uma prioridade. À medida que o país avança em direção a uma maior transparência e justiça em suas práticas, não podemos esquecer que o tratamento dos cidadãos, tanto nos bastidores como nas audiências, é fundamental para a eficaz realização da justiça e promoção do bem-estar social.



