SAÚDE

SUS amplia teleatendimento psicológico para mulheres em situação de violência

Mulheres em situação de violência passaram a contar com a possibilidade de teleatendimento psicológico pela rede pública de saúde. A medida integra as estratégias do Sistema Único de Saúde (SUS) para ampliar o acesso ao cuidado em saúde mental e facilitar o acolhimento de vítimas que enfrentam dificuldades para chegar presencialmente aos serviços.

O atendimento remoto pode ser utilizado em casos de violência física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral. A proposta é oferecer escuta qualificada, orientação e acompanhamento profissional, respeitando as condições de segurança e privacidade de cada paciente.

Segundo as diretrizes do SUS para a atenção às pessoas em situação de violência, o atendimento deve ser feito de maneira humanizada, sem julgamento e sem responsabilizar a vítima pelo episódio. O objetivo é identificar as necessidades da mulher, reduzir os impactos emocionais da violência e encaminhá-la, quando necessário, para outros serviços da rede pública.

O acesso ao teleatendimento pode ocorrer a partir das unidades básicas de saúde, dos serviços municipais de saúde ou de outros pontos da rede de atenção. A forma de agendamento e a oferta de profissionais podem variar de acordo com a organização de cada município. Por isso, a orientação é procurar a unidade de saúde mais próxima para obter informações sobre a disponibilidade do serviço.

Durante o contato remoto, a equipe pode avaliar sinais de sofrimento psíquico, como ansiedade, depressão, medo constante, insônia e pensamentos relacionados à morte. O acompanhamento também pode incluir orientações para fortalecer a rede de apoio e encaminhamentos para serviços especializados, como os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), ambulatórios e equipamentos de assistência social.

O teleatendimento não substitui os serviços de urgência nem o atendimento presencial quando há risco imediato. Em situações de emergência, a recomendação é ligar para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo número 192, ou procurar uma unidade de pronto atendimento.

Casos de violência também podem ser denunciados pelo Ligue 180, serviço gratuito e sigiloso de atendimento à mulher. O canal funciona para prestar informações sobre direitos, registrar denúncias e indicar serviços especializados. Em situações de emergência policial, o número indicado é o 190.

A violência contra a mulher pode produzir consequências prolongadas para a saúde física e mental. Além dos ferimentos, as vítimas podem desenvolver transtornos de ansiedade, depressão, estresse pós-traumático e dificuldades de convivência social. O atendimento psicológico busca reduzir esses efeitos e contribuir para a reconstrução da autonomia e da segurança da paciente.

A ampliação do atendimento remoto também pode beneficiar mulheres que vivem em áreas rurais, municípios com poucos profissionais especializados ou locais onde o deslocamento até um serviço de saúde representa uma barreira. Ainda assim, a efetividade da medida depende da estrutura disponível em cada região e da articulação entre saúde, assistência social, segurança pública e Justiça.

O SUS orienta que profissionais mantenham o sigilo das informações e adotem cuidados para evitar que o agressor tenha acesso ao contato ou ao conteúdo das consultas. Sempre que houver risco, a mulher deve informar à equipe se consegue falar com segurança e indicar o meio mais adequado para receber mensagens ou ligações.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo