
Dois fortes terremotos atingiram a Venezuela na madrugada de 10 de abril de 2024, deixando ao menos 164 mortos e mais de 500 feridos, segundo o Ministério da Saúde do país. Os abalos, com magnitudes de 6,2 e 5,8 graus na escala Richter, foram registrados pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) às 2h23 e 2h41 (hora local), com epicentros a 120 km da capital, Caracas. A região de Barquisimeto, no estado de Lara, foi a mais afetada.
O primeiro tremor causou o colapso de pelo menos 43 edifícios, incluindo escolas, hospitais e residências, enquanto o segundo abalo agravou os danos nas áreas já destruídas. Autoridades locais reportam dificuldades para resgatar sobreviventes em edifícios desmoronados, devido à insegurança estrutural e escassez de equipamentos especializados.
O presidente Nicolás Maduro declarou estado de emergência nacional e solicitou o apoio de organizações internacionais, como a Cruz Vermelha e a ONU. Equipes de resgate de Colômbia, Equador e Costa Rica foram mobilizadas para auxiliar nas operações de busca e salvamento. O governo também abriu centros de acolhimento para desabrigados, com distribuição de água potável, alimentos e suprimentos médicos.
Segundo o Instituto Venezuelano de Vulcanologia, Sismologia e Astronomia (Inevit), a atividade sísmica ocorre devido ao movimento das placas tectônicas Caribe e Sul-Americana, uma zona de alta instabilidade que já causou desastres semelhantes no passado. Especialistas alertam para a possibilidade de novos tremores nos próximos dias.
Organizações humanitárias condenam a lentidão na resposta inicial do governo e denunciam a precariedade de infraestruturas em zonas de risco. “A Venezuela enfrenta uma crise humanitária exacerbada pela falta de investimentos em segurança e planejamento urbano”, afirma uma nota da ONG International Federation of Red Cross and Red Crescent Societies.
Internacionalmente, a comunidade científica e governos de diversos países ofereceram apoio técnico e financeiro para a reconstrução. O Brasil, por exemplo, anunciou a disponibilidade de 50 caminhões de abastecimento e 100 profissionais de saúde para ajudar na região afetada.
Enquanto os esforços de resgate continuam, autoridades locais buscam identificar os responsáveis por construções irregulares em áreas de risco. A justiça venezuelana já abriu inquéritos para apurar possíveis negligências que possam ter agravado as consequências do desastre.
O cenário atual reflete a fragilidade de um país que enfrenta uma grave crise econômica e social, com mais de 10 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade alimentar. O impacto dos terremotos exige uma resposta coordenada entre instituições públicas, setor privado e sociedade civil para mitigar os danos e prevenir futuros desastres.



