
No primeiro dia do Grand Prix de Judô em Hangzhou, na China, o Brasil conquistou duas medalhas de bronze, destacando-se em uma das categorias mais tradicionais do esporte. As vitórias foram obtidas por atletas que buscavam reafirmar a presença brasileira no cenário internacional após um período de transição no esporte.
A competição, que reuniu cerca de 500 atletas de 60 países, começou com uma disputa acirrada na categoria -66 kg feminino. A brasileira Ana Clara Oliveira, de 22 anos, venceu duas lutas consecutivas na fase inicial, incluindo uma decisão por ippon após um waza-ari nos minutos finais. Na luta decisiva pelo bronze, ela superou a japonesa Akira Tanaka por yuko, garantindo a medalha com uma estratégia defensiva sólida.
No peso -81 kg masculino, o amazonense Lucas Ferreira, campeão pan-americano em 2023, também subiu ao pódio. Ele venceu o russo Ilya Fomkin por dois pontos de diferença, destacando-se pela velocidade e precisão nos golpes. Ferreira afirmou após a luta que o desempenho foi “uma preparação ideal para os Jogos Pan-Americanos de 2025”, em Lima, Peru.
O técnico da equipe brasileira, João Batista Silva, destacou a “consistência dos atletas em condições adversas” e ressaltou que os treinamentos intensivos nos últimos seis meses contribuíram para o resultado. “O bronze é um passo importante, mas nosso objetivo é a prata ou mesmo o ouro nas próximas etapas”, afirmou.
O Grand Prix de Hangzhou faz parte da série de eventos que antecipam os Jogos Olímpicos de Paris 2024, servindo como plataforma para que os atletas testem estratégias e ganhem pontos classificatórios. O Brasil, que já garantiu três vagas olímpicas em categorias femininas, busca aumentar sua participação na competição mais prestigiada do esporte.
Apesar do sucesso nas lutas de abertura, o técnico reconhece que há desafios a serem superados. “A diferença técnica entre os primeiros colocados está menor, o que exige inovação nas técnicas”, observou. A equipe volta às competições em março, com o Grand Prix de Tóquio, Japão.
Os resultados do primeiro dia geraram comemoração nas redes sociais, com fãs destacando a juventude e a força dos atletas brasileiros. O Ministério do Esporte destacou, em nota, que “os investimentos em infraestrutura e seleção de talentos estão começando a dar frutos visíveis”.
O evento, que segue até domingo, terá transmissões ao vivo pela plataforma da Confederação Internacional de Judô (IJF) e pelo canal da Federação Brasileira de Judô. O Brasil terá mais cinco atletas em disputa nos próximos dias, incluindo a olímpica Camila Silva, na categoria -78 kg feminino.
Com duas medalhas na primeira etapa, a equipe brasileira ocupa a 12ª posição no quadro de medalhas, atrás de seleções tradicionais como Japão, China e Coreia do Sul, mas à frente de potências emergentes como Egito e Turquia. A próxima etapa do circuito será em abril, em Baku, Azerbaijão.



