
O município de Belo Horizonte anunciou, na semana passada, a criação do “Programa Mulheres no Rumo”, iniciativa voltada para a qualificação e inserção no mercado de trabalho de mulheres lésbicas, bissexuais, trans e travestis. A medida busca reduzir as desigualdades enfrentadas por esse público, que historicamente enfrentam barreiras como discriminação, falta de acesso a políticas públicas e dificuldades nas relações de trabalho.
De acordo com dados da Secretaria Municipal de Inclusão Social, cerca de 18% das mulheres LGBTQ+ da capital mineira estão em situação de desemprego ou em trabalhos informais. O programa, financiado com recursos do Orçamento Participativo 2023, oferecerá cursos técnicos em áreas como tecnologia, gastronomia e administração, além de apoio psicológico e mentoria profissional. A prefeitura também firmou parcerias com mais de 40 empresas locais comprometidas com a contratação de participantes do projeto.
“Esse é um passo importante para garantir que todas as mulheres possam exercer seus direitos e ter acesso a oportunidades dignas”, afirmou a secretária adjunta de Inclusão, Maria Eduarda Ferreira, em coletiva de imprensa. O programa será dividido em três fases: capacitação inicial (junho-setembro), estágios supervisionados (outubro-dezembro) e contratações efetivas em 2024. Estima-se que 500 mulheres participem do projeto em sua primeira edição.
A iniciativa surge em resposta a uma demanda identificada por ONGs locais e pela própria comunidade. Em entrevista à rádio local, a ativista trans Tânia Oliveira destacou: “Por mais de 40 anos, lutamos para ser reconhecidas. Agora, vemos uma política pública que nos vê como agentes de transformação”. Entre os desafios apontados pelas beneficiárias está a dificuldade de conciliar a busca por emprego com a necessidade de manter a própria segurança e estabilidade emocional.
A estrutura do programa inclui parcerias com instituições de ensino e centros de referência LGBTQ+. Os cursos serão ministrados em espaços adaptados, com foco em combater o preconceito no ambiente laboral. Além disso, será criado um cadastro de profissionais para facilitar a conexão entre elas e empresas que já garantiram vagas. A prefeitura destacou que não haverá cobrança de taxas para participação, e todo o conteúdo será acessível online e presencialmente.
De acordo com o relatório do IBGE de 2022, as mulheres trans têm taxa de desemprego 3,4 vezes maior que a média da população. A iniciativa de BH se alinha a movimentos nacionais como o “Minha Casa, Minha Vida” e a lei federal de cotas para grupos vulneráveis. Críticos, porém, argumentam que a abrangência do projeto é limitada geograficamente e que a execução depende da colaboração de empresas que, em alguns casos, ainda mantêm práticas discriminatórias.
Apesar das críticas, a iniciativa é vista como um marco na gestão municipal. A prefeitura informou que fará um balanço anual do programa, com divulgação de relatórios e ajustes com base nas demandas da comunidade. A expectativa é que, até 2025, o projeto atinja 2 mil mulheres em todo o estado de Minas Gerais, ampliando sua base com recursos federais.
A campanha de inscrições para o primeiro ciclo do “Mulheres no Rumo” está aberta até 30 de junho. As interessadas podem se cadastrar no site oficial da prefeitura, mediante apresentação de documento de identidade e comprovante de residência. Mais informações sobre os cursos e vagas disponíveis estão disponíveis na página “BH Inclui”, que foi especialmente criada para divulgar ações de inclusão social do município.



