
O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) divulgou um relatório alarmante que aponta a falta de Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e a escassez de psiquiatras como fatores primordiais para o aumento dos índices de suicídio no estado. Os dados revelam que, em 2022, Minas Gerais registrou uma média de 4,8 suicídios por dia, evidenciando a urgência na ampliação dos serviços de saúde mental.
De acordo com o levantamento, apenas 33% dos municípios mineiros possuem Caps, que são considerados fundamentais para a assistência à saúde mental da população. Esses centros oferecem cuidados contínuos e tratamento a pessoas com transtornos mentais graves, um segmento da população que, se não tratado adequadamente, corre maior risco de cometer suicídio.
A falta de profissionais qualificados também é uma questão crítica. O estado enfrenta uma carência significativa de psiquiatras, o que agrava a situação. Estudos indicam que Minas Gerais precisaria de 2.500 psiquiatras para atender à demanda da população, mas atualmente esse número é drasticamente inferior.
Com a pandemia de Covid-19, a saúde mental também se deteriorou, e a necessidade de intervenção se tornou mais evidente. Especialistas destacam que os fatores estressores relacionados à pandemia, como isolamento social, perda de emprego e luto, exacerbaram problemas de saúde mental que já existiam na população.
Os dados do TCE-MG ressaltam que o aumento dos casos de depressão e ansiedade, especialmente entre os jovens e a população idosa, está associado a essa crise na saúde mental. Campanhas de conscientização e ampliação do acesso aos serviços de saúde mental têm sido sugeridas como medidas urgentes para enfrentar essa emergência.
A falta de investimento em saúde pública, especificamente na área de saúde mental, tem gerado consequências devastadoras. A criação de políticas públicas que visem a formação de mais profissionais e a expansão dos Caps é vista como uma necessidade premente para inverter esse quadro alarmante.
A sociedade civil e os órgãos de saúde estão sendo instados a trabalhar em conjunto para desenvolver estratégias que possam efetivamente reduzir os índices de suicídio. Isso inclui não apenas aumentar o número de psiquiatras e Caps, mas também melhorar a qualidade do atendimento e os serviços de suporte discursivo.
Enquanto essas medidas não forem adotadas, a vida de milhares de mineiros permanece em risco. O TCE-MG e outras instituições têm chamado a atenção para a necessidade de uma mobilização coletiva que busque, de fato, transformar o cenário da saúde mental no estado e garantir que todos tenham acesso ao tratamento adequado.
Em um esforço conjunto, pode-se contribuir para que o estado reduza a tragédia dos suicídios e promova uma vida mais saudável e equilibrada para todos os seus cidadãos. É um desafio que requer a atenção urgente de gestores públicos, profissionais da área de saúde e da comunidade como um todo.



