
A intensificação da atividade solar em 2024 pode criar condições para a visibilidade da aurora boreal em regiões dos Estados Unidos, como Nova York e Chicago, coincidindo com a realização da Copa do Mundo. Pesquisas do Laboratório de Física do Espaço do MIT indicam que uma onda coronal de grande intensidade, registrada em junho, pode interferir no campo magnético terrestre, provocando tempestades geomagnéticas que expandem o alcance do fenômeno auroral.
Segundo o Observatório Solar da NASA, o Sol está em uma fase de aumento da atividade, com manchas solares e ejeções de massa coronal (CMEs) ocorrendo com frequência. Em 12 de junho, uma CME de magnitude classe G4 foi registrada, atingindo a Terra em 24 horas. Esse evento elevou o índice de atividade geomagnética (Kp) para 7,5, um nível que raramente permite a visibilidade da aurora boreal fora da região polar.
Auroras boreais são fenômenos causados pela interação entre partículas carregadas do vento solar e a atmosfera terrestre. Normalmente confinadas a latitudes acima de 60°, como no Alasca ou Canadá, elas podem se deslocar para latitudes menores durante tempestades geomagnéticas fortes. Dados do Centro Nacional de Dados Meteorológicos (NOAA) mostram que em 2022, uma aurora intensa foi observada em partes da Califórnia, um caso raro que pode se repetir nos próximos meses.
A possibilidade de auroras em zonas temperadas tem gerado interesse da comunidade científica. “Eventos como esses são oportunidades únicas para estudos sobre a interação do campo magnético terrestre com partículas solares”, afirma a astrofísica Dr. Elena Vargas, coordenadora do Projeto Auroras da NASA. Ela alerta, porém, que a previsão é incerta, dependendo da trajetória e velocidade das ejeções solares.
Para o público geral, observações de auroras em regiões dos EUA estão limitadas a noites claras e sem poluição luminosa. Aplicativos como o Aurora Forecast, desenvolvido pela NOAA, permitem monitorar em tempo real a probabilidade de visualização. Durante a Copa do Mundo, a NASA promove transmissões ao vivo de câmeras instaladas em locais estratégicos, como o Alasca e o Canadá, para compartilhar imagens do fenômeno.
Embora a conexão entre eventos solares e auroras boreais seja bem estabelecida, a ciência ainda enfrenta desafios em prever com exatidão o impacto de cada CME. Estudos recentes publicados em Nature Astronomy destacam a necessidade de modelos mais precisos para entender os efeitos do clima espacial na tecnologia e na biosfera terrestre.



