
Após uma paralisação que durou três dias, os rodoviários do Rio de Janeiro anunciaram na manhã desta quinta-feira (12) a suspensão da greve, garantindo a retomada dos serviços de transporte coletivo na cidade. A decisão foi comunicada após uma reunião entre representantes do Sindicato dos Rodoviários do Estado do Rio (SindRodo) e autoridades do governo estadual, que acertaram um acordo para resolver os impasses que motivaram a paralisação.
A greve, iniciada no último domingo (9), afetou mais de 400 linhas de ônibus urbanos e afetou o deslocamento de milhares de passageiros. Os trabalhadores protestavam contra o atraso no pagamento de reajustes salariais acordados em 2023 e a falta de investimentos em infraestrutura para a manutenção da frota. Segundo o sindicato, cerca de 70% dos rodoviários estavam em ato, o que resultou em filas e alternativas precárias para os usuários do transporte público.
O acordo firmado inclui a liberação imediata de R$ 5 milhões em verbas destinadas à modernização de unidades de manutenção e a compensação dos salários atrasados, que serão pagos em duas parcelas até o final do mês. Além disso, o governo comprometeu-se a ampliar a fiscalização de empresas terceirizadas que prestam serviços de manutenção aos veículos, garantindo maior segurança aos motoristas.
Segundo o presidente do SindRodo, João Ferreira, a suspensão da greve foi acatada após garantias de que as demandas dos trabalhadores serão priorizadas nos próximos meses. “A reabertura do diálogo com o governo foi essencial para resolver a crise. Os rodoviários estão voltando às ruas para atender a população, mas reforçamos que os ajustes acordados devem ser concretizados até o final do ano”, afirmou.
O secretário de Transportes do Rio, Paulo Motta, destacou que o retorno das operações é uma vitória para os passageiros, já que o sistema de ônibus é o principal meio de locomoção para cerca de 1,2 milhão de pessoas na capital fluminense. “Estamos empenhados em cumprir os termos do acordo e em garantir a regularidade do transporte público, que é um direito de todos”, disse.
Com a normalização do serviço, as linhas urbanas voltaram a operar com a frota completa, incluindo itinerários complementares (ônibus de substituição) em regiões afetadas pela paralisação. Passageiros informados sobre as mudanças destacaram o alívio pela retomada. “Foi complicado nos primeiros dias, mas agora já consigo planejar melhor meu trajeto”, afirmou a estudante Ana Luiza, 22.
A Secretaria de Transportes informou que fará um acompanhamento constante do cumprimento das metas acordadas e reforçou o convite para que os usuários do transporte público apresentem sugestões ou reclamações pelo canal 156. A suspensão da greve mantém a previsão de novas assembleias em dezembro, caso as promessas governamentais não sejam cumpridas.
No cenário nacional, o movimento dos rodoviários do Rio reforça debates sobre os desafios enfrentados pelo transporte público, especialmente em cidades de grande porte. Análises recentes destacam que o setor enfrenta déficits orçamentários e problemas de infraestrutura em 17 dos 27 Estados brasileiros, segundo dados do Instituto de Desenvolvimento e Integração Regional (IDIR).



