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Terremotos na Venezuela: Novo balanço eleva número de mortos para 2.954

Caracas, 15 de setembro de 2023 — O número de mortos causados pelos terremotos que atingiram a Venezuela subiu para 2.954, conforme novo balanço divulgado oficialmente no início da semana. A atualização, confirmada pelo Instituto Geológico Nacional da Venezuela (IGNV), aponta para um aumento de 520 vítimas em relação ao levantamento anterior, realizado em 30 de agosto.

Os tremores, registrados entre 20 de junho e 5 de agosto, atingiram magnitudes compreendidas entre 5,8 e 7,2 graus na escala Richter. A região mais afetada foi o estado de Barinas, no sudoeste do país, onde 75% das mortes foram registradas. Outras áreas impactadas incluem o Distrito Capital e os estados de Cojedes, Lara e Portuguesa.

De acordo com o governo venezuelano, as equipes de resgate continuam a operar na busca por sobreviventes em áreas com acesso difícil. Até o momento, foram resgatadas 1.238 pessoas, enquanto mais de 4 mil permanecem desaparecidas. A infraestrutura de saúde e energia sofreu danos significativos, com 12 hospitais e 35 postos de distribuição de água em funcionamento precário.

O presidente Nicolás Maduro anunciou, em coletiva transmitida na quinta-feira (14), um plano de reconstrução de R$ 2,3 bilhões, destinado à reconstrução de moradias, vias e sistemas de abastecimento. A ajuda internacional, incluindo doações de Colômbia, Equador e Chile, já ultrapassou os R$ 850 milhões. A ONU destacou, em nota oficial, a necessidade de evitar “esforços duplicados” entre as equipes de resgate.

Os terremotos ocorreram em uma zona de fratura geológica conhecida como Falha El Pilar, uma das mais ativas da América do Sul. Sismólogos reiteram que a região permanece em alerta para novos tremores, com risco de réplicas até o final de 2023. A Agência Meteorológica Venezuelana (AMV) orienta a população a evitar áreas com estruturas comprometidas e a seguir protocolos de segurança embaçados em escolas e locais de trabalho.

Enquanto os esforços de recuperação avançam, a crise humanitária persiste. A ONG Venezuelans for Hope estima que 8,7 milhões de pessoas precisam de assistência básica, incluindo alimentos, abrigo e cuidados médicos. A comunidade internacional pressiona por uma resposta mais ágil das autoridades locais, já que atrasos na distribuição de recursos foram denunciados por moradores de áreas rurais.

Os próximos dias serão decisivos para conter a crise. A Comissão Europeia prometeu R$ 150 milhões em ajuda adicional, enquanto a União Latino-Americana de Sísmica (ULAS) prepara um mapeamento geológico para prevenir desastres futuros. A Venezuela, que já enfrenta uma recessão econômica prolongada, agora enfrenta um dos maiores desafios de sua história recente.

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