COTIDIANO

Homem denuncia espancamento após ser chamado de “gayzinho” durante caminhada em Florianópolis

Florianópolis, 15 de outubro de 2023 — Um homem de 34 anos denunciou à polícia ter sido espancado por um grupo de desconhecidos após ser chamado de “gayzinho” durante uma caminhada no bairro Trindade, na noite de terça-feira (10). O incidente, que gerou indignação nas redes sociais, está sendo investigado como possível crime de homofobia pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Santa Catarina.

Segundo o boletim de ocorrência registrado, a vítima relatou que caminhava por uma via pública quando foi abordado por três homens, que teriam feito comentários desrespeitosos sobre sua orientação sexual. A disputa escalou para uma agressão física, com o grupo empurrando e socando o homem antes de fugir em motocicletas. A vítima apresenta escoriações no rosto e costas, e está sob acompanhamento médico.

A polícia informou que iniciou buscas por câmeras de monitoramento nas proximidades e coletou depoimentos de testemunhas. Nenhum suspeito foi identificado até o fechamento desta matéria. O delegado responsável pelo caso, Carlos Eduardo Menezes, afirmou que está analisando a motivação do crime: “Estamos verificando se houve intenção de perseguir a vítima por razões de preconceito”.

Organizações de defesa dos direitos LGBTQIAP+ condenaram o episódio. A presidente da Associação de Direitos Humanos de SC, Ana Paula Fernandes, destacou que o caso reflete um “clima de impunidade” em relação à violência contra a comunidade. Em nota, a entidade pediu mais investimentos em campanhas de conscientização e reforço da lei Maria da Penha para casos de discriminação.

Dados do Fórum de Combate à Homofobia revelam que Santa Catarina registrou 210 denúncias de crimes motivados por homofobia em 2022, um aumento de 18% em relação ao ano anterior. A maioria dos casos ocorre em ambientes públicos, com agressores identificados como conhecidos da vítima ou grupos de jovens. Expertos alertam para a subnotificação do problema, já que muitos casos não chegam ao conhecimento da autoridade.

Após o episódio, moradores do Trindade organizaram um encontro no local para reafirmar o apoio à vítima e exigir justiça. “Ninguém merece viver com medo de ser discriminado”, declarou um dos organizadores, João Silva, que destacou a importância de denunciar atos de violência. A prefeitura de Florianópolis confirmou que reforçará a iluminação pública e a presença de agentes em áreas de alto movimento noturno.

Enquanto a investigação avança, a advogada da vítima, Fernanda Rezende, afirmou que vai pedir indenização por danos morais. “Queremos que o caso sirva como exemplo para condenar a violência e preconceito”, ressaltou. A família da vítima pediu que as redes sociais evitem a divulgação de fotos ou informações pessoais do autor do crime.

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