MEIO AMBIENTE

Degelo e seca ampliam pressão sobre a Ásia Central e pequenos países insulares

O avanço do degelo nas cadeias montanhosas da Ásia Central e a intensificação da seca em diferentes partes do continente estão ampliando os riscos para o abastecimento de água, a agricultura e a produção de energia. Ao mesmo tempo, pequenos países insulares enfrentam a elevação do nível do mar, a erosão costeira e o aumento da frequência de eventos extremos. Os efeitos ocorrem em regiões distintas, mas estão ligados ao aquecimento do planeta.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), a Ásia é a região que mais aquece no mundo. O continente registrou, nos últimos anos, temperaturas acima da média, ondas de calor prolongadas, chuvas intensas e períodos de estiagem. O relatório sobre o estado do clima na Ásia destaca que as áreas de alta montanha, incluindo o Hindu Kush-Himalaia e as cordilheiras que atravessam a Ásia Central, estão entre as mais vulneráveis às mudanças no regime de neve e gelo.

Países como Tajiquistão e Quirguistão dependem amplamente do degelo sazonal para abastecer rios e sustentar atividades agrícolas. No curto prazo, o derretimento acelerado pode elevar a vazão dos cursos d’água e aumentar o risco de inundações e deslizamentos. Com a redução progressiva das geleiras, porém, a disponibilidade de água tende a diminuir durante os meses mais quentes e secos.

A situação afeta também os países localizados a jusante dos grandes rios da região, como Cazaquistão, Uzbequistão e Turcomenistão. A maior demanda por irrigação, o crescimento populacional e a infraestrutura hídrica insuficiente aumentam a competição pelo recurso. A crise do Mar de Aral, provocada principalmente pelo desvio de rios para a agricultura, é um dos exemplos mais conhecidos das consequências da má gestão da água, embora o fenômeno tenha causas ambientais e econômicas acumuladas ao longo de décadas.

Nos pequenos Estados insulares, a principal ameaça está relacionada à elevação do nível do mar. O aquecimento dos oceanos provoca expansão térmica da água, enquanto o derretimento de geleiras e mantos de gelo acrescenta volume aos mares. Comunidades em atóis e áreas costeiras baixas enfrentam a salinização de fontes de água potável, a perda de terras agrícolas e danos a estradas, portos, moradias e instalações de saúde.

Relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) apontam que os países insulares contribuem pouco para as emissões globais, mas estão entre os mais expostos aos impactos climáticos. Em várias dessas nações, a adaptação exige obras de proteção costeira, sistemas de alerta, recuperação de manguezais e planejamento para deslocamentos internos. Em alguns casos, a elevação do mar já afeta áreas habitadas e infraestrutura essencial.

Especialistas e organismos internacionais defendem que a resposta combine redução das emissões de gases de efeito estufa, monitoramento de geleiras, acordos de gestão da água e financiamento climático. A OMM ressalta que sistemas de alerta antecipado e dados meteorológicos mais precisos podem reduzir perdas humanas e econômicas. Sem medidas de adaptação e cortes nas emissões, o degelo, a seca e a elevação do nível do mar tendem a produzir impactos cada vez mais amplos e duradouros.

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